O escritor Ed Arruda lança por videoconferência o livro “Azul Sereno”

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>> Link da videoconferência no Google Meet: 
https://meet.google.com/uqn-fjtz-pub

>> Os exemplares estão à venda nos seguintes locais:

– Cultura Nordestina: Rua Luiz Guimarães 555, Poço da Panela, Recife-PE. Telefone: 81. 3243-3927. 

– Site da Amazon: https://www.amazon.com.br/Azul-Sereno-Ed-Arruda-ebook/dp/B08P2HGYSG/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&dchild=1&keywords=Ed+Arruda&qid=1606419766&sr=8-1

– Livraria Varejão do Estudante: Av. Manoel Borba 292, Boa Vista, Recife-PE. Telefone: 81. 2123-5853.

O escritor e secretário geral da União Brasileira de Escritores (UBE/PE), Ed Arruda, lança, no dia 27 de novembro, às 19h,  por videoconferência, através do Google Meet, o livro em verso e prosa “Azul Sereno” (Edições Novo Horizonte, 102 páginas). Link da videoconferência: https://meet.google.com/uqn-fjtz-pub

Com estas palavras começa o posfácio escrito por Valdenides Dias, professora associada da UFRN com pós-doutorado pela UFPE:

O que falar sobre Azul Sereno?

Começo pela serenidade expressiva de Ed Arruda ao aventurar-se em promover a junção de poesia e prosa, de lirismo e crítica social em um livro que vai do verso livre às décimas heptassilábicas para além do azul que matiza a experiência poética, enquanto relação privilegiada do homem com o mundo, aponto outros tons importantes:

As citações que entrecruzam os poemas são guias que conduzem o leitor, ora para o lirismo, com Goethe e Quintana, ora para o social, com Einstein, Jerome Lawrence, Dante e Saint-Just, este último soando como uma espécie de mantra que acompanha os pontos altos da crítica social implícita em vários poemas. Na verdade, todos demarcam a tríade temática — amor, fé, política — por onde circunda um eu lírico reflexivo, que enfrenta as “ziquiziras” da vida, “frente a um céu azul sereno”.

A escolha lexical nos leva também a descobrir marcas de Drummond   — “É uma pedra. Não a do caminho, a de Bolonha elevada ao topo do vértice” —; de Bandeira — “A estrela se rende à escuridão em pleno dia” e Quintana, em citação direta — “Amar é mudar a alma de casa”. 

Na contracapa, a escritora Aline Saraiva convida a:

Contemplar e refletir; refletir e contemplar.

Navegar não é o bastante; as ondas desse Azul Sereno submergem o leitor em mergulhos intensos.

A técnica e a sensibilidade do autor – generosamente compartilhadas nos ambientes literários ao seu redor – se unem para servir à escrita, tecendo verso e prosa com belos e instigantes matizes, refletidos na fluidez e diversidade de tons e temas – universais, singulares, atemporais, contemporâneos – fincados na tríade amor-fé-política, abraçados por igual acuidade.

Primazia na concepção de figuras de linguagem; suficiência das palavras; apuro nas citações adunadas, juntos à essência a escorrer pelas entrelinhas homenageiam percepções e convidam a sempre bem-vinda fuga do lugar-comum.

Ao final, uma dúvida: sereno? Por que traga com tamanha força?

A professora Asunción Gonzalez, graduada em Letras com pós em Língua portuguesa, confessa nas orelhas de Azul Sereno não ser surpresa o brinde:

Brinda-nos em verso e prosa, não me surpreende, pois sempre o instiguei a resgatar o sonho estacionado no passado. A poética não acalenta, grita, acorda os anjos de pedra para enxergar e sentir o mundo cru e sem ervas aromáticas. Atravessa o ficcional, invade a realidade para gestar denúncias, mas deixa clara a opção pela vida, pela liberdade, pela soberania da Pátria e pelos valores morais. Pesa-lhe a questão religiosa, uma pedra no calcanhar do sapato apertado.

Com uma escrita enxuta e objetiva nos apresenta o primeiro livro. Embora seja escritor dedicado à ficção e à crônica, presente em algumas coletâneas, surpreende-nos com poemas; rastro da trajetória das horas de descanso, apartado dos personagens ficcionais. A balança metafórica afere o teor poético do livro e serve de bússola à imaginação do leitor.

A psicóloga, professora, coralista do Bloco Lírico Cordas e Retalhos, “brincante e aprendiz de poeta” com estas palavras se define Ana Pottes, enquanto arremata o autor:

Rios caudalosos reagem à contenção e os primeiros escritos vão parar no site Recanto das Letras. Encorajado por 1566 leituras e 79 comentários inicia as publicações em papel. São participações em dezessete coletâneas lançadas nas cidades do Recife/PE, do Rio de Janeiro/RJ, de Maringá/PR, de São Paulo/SP e de Olinda/PE. Filia-se a União Brasileira de Escritores. Em agosto de 2019 é convidado para ocupar o Destaque Literário do ponto de cultura e arte, Cultura Nordestina.

Uma pérola de escrita singular, instigante, rica em metáforas, símiles, cenários coloridos ou em preto e branco. Algumas vezes árido como a visão daquela janela do passado, outras vezes libertário. Michelangelo respondendo a pergunta como faz uma escultura? “Simplesmente retiro do bloco de mármore tudo o que não é necessário”. Assim é Ed Arruda; um artista cujo cinzel são as palavras e o que esculpe no mármore são os contos, as crônicas e, neste livro, poemas.

O escritor Ed Arruda narra como foi o seu processo de produção do livro:

Adolescente escrevi os primeiros versos, alimentados por uma colega de bairro, primeira decepção amorosa. Lembro o início: “Pedra polida em minha vida vieste, ladeira abaixo impiedosa rolaste”. Ela casou com o padre, era o nosso professor de português no ginasial, tiveram filhos e foram felizes. Por acaso nos encontramos na década de 90, ela estava viúva.

Recordo um outro poema que tomei como desafio de um professor no curso de telecomunicações. Ele ensinava métrica e rima, ao término lançou o desafio: daria um ponto extra a quem escrevesse uma poesia.  Fiz uma grande que narrava a movimentação de chegada, saída e o contraste de durante as aulas e intervalo. Ele me negou o ponto, disse que eu não precisava, estava aprovado por média. Voltei a escrever poemas com o nascimento da primeira filha, publiquei no jornal interno da Embratel onde trabalhei por 34 anos.

De volta a escrita, dediquei-me à ficção, mas aos poucos produzi alguns poemas sem pretensões. À procura de fonte para beber encontrei Tomas Stearns Eliot, Maria Rilke, Goethe em Os sofrimentos do jovem Werther, Mário Quintana, Austro Costa, Carlos Drummond, Manuel Bandeira, Alberto da Cunha. Enfim, diante da infinitude do universo, a disposição voltou. Gosto de escrever pela manhã, a cabeça amanhece repleta de ideias, mas nem sempre me sento e não tenho o hábito de anotar. Cuido de mim e me dou muito trabalho. Azul Sereno sai por medo da pandemia e eu ser público alvo, além das provocações dos monstros. O “Último apague a luz” estava definido para o título até um domingo quando depois do almoço sentei e me reclinei na cadeira.

O céu vestia a domingueira azul marinho e sob ele, alvas ovelhas corriam se separavam e se agrupam em novos rebanhos. A brincadeira parecia densa: elas se rasgavam e se esgarçavam. Imaginei as separações humanas quando uma das partes tem dificuldade em aceitar perda e reage com violência. Alguns poemas vêm como incentivo a quem precisa melhorar a capacidade de resiliência nos rompimentos amorosos. – Que tal substituir o sentimento de perda pela escrita ou leitura de um poema.

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